A decisão do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), de exonerar os indicados do vereador Wiginis do Gás (também do UB) e, na prática, expulsá-lo da base governista, pode ter efeitos mais amplos do que o esperado.
Embora o prefeito tenha tentado desvincular a ruptura do apoio de Wiginis à pré-candidatura de Nina Souza à Câmara Federal, o timing das exonerações – publicadas no Diário Oficial apenas dois dias após o anúncio do apoio – fortaleceu a leitura de que a motivação foi política.
E, nesse caso, o recado teria sido direcionado não apenas ao vereador, mas ao entorno da pré-candidata e, por extensão, ao prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), marido de Nina.
Ao agir com mão pesada contra um aliado de primeira hora, o prefeito de Mossoró pode ter dado a Paulinho Freire o argumento político que faltava para justificar um distanciamento e, eventualmente, uma aproximação mais explícita com o senador Rogério Marinho (PL), nome que já vinha sendo ventilado como sua preferência para a sucessão estadual.
Além disso, a expulsão de Wiginis pode desencadear um efeito dominó. Outros vereadores da base de Allyson, como Petras Vinícius e Vavá Martins, já demonstraram simpatia por projetos políticos alternativos – o primeiro, flertando com a pré-campanha de Nina; o segundo, alinhado a Ivanilson Oliveira.
A movimentação de Wiginis pode servir de alerta ou de estímulo para que outros parlamentares revejam sua permanência na base.
Se o objetivo era conter dissidências, o resultado pode ser o oposto: a antecipação de uma crise interna no União Brasil e o reposicionamento de forças em torno de 2026. Afinal, como dizem os mais experientes, em política, o gesto é tão importante quanto a palavra – e o gesto de Allyson foi claro.
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